Então, eu tive que fazer um artigo sobre a WEB 2.0 para uma disciplina da pós-gradução. A professora deixou BEM CLARO que não era um artigo científico e que tinhamos liberdado criativa.
Beleza.
Fiz o meu artigo de uma maneira completamente diferente do que eu sei que ela estava esperando. Queria seguir uma outra vertente. Optei por uma linha didática, meio infantil, até…
Beleza.
A professora disse que adorou o artigo, adorou a argumentação, disse que o mesmo condizia completamente com os debates relacionados à disciplina, mas, simplesmente tascou um 1,8 no meu boletim.
O artigo valia 2,0.
Aí deixou de ficar beleza!!!!!!!!!!!!!
Fiquei chateada e perguntei a razão. A dona professora explica que gostaria que eu tivesse citado algum autor!!!
ORAS… Desde quando eu sou obrigada a citar alguém em um artigo???????????? Eu acho que eu me bastei nesse artigo, oras! Se precisasse citar alguém para dar respaldo à minha linha de pensamento, citaria. Mas não quis, pow!
Aí vai o artigo pra quem tiver paciência de ler:
Até onde as informações na WEB 2.0 são confiáveis?

Marivone Vieira[1]
A Bíblia é historicamente confiável? Há indícios arqueológicos para todos os fatos relatados? Um escrito determinado a defender uma específica visão religiosa realmente pode ser digno de confiança? Nascida sob o seio de uma família católica, tendo enfrentado a Educação de uma escola de fundamentação Batista até a terceira série do primeiro grau e de uma escola católica da 4ª série até a graduação no Ensino Médio, não foi fácil assimilar os questionamentos levantados no início desse parágrafo durante a infância e acreditar, hoje, a partir de concepções balizadas ao longo dos meus 26 anos, que as respostas para tais perguntas são: depende, não e não. Muitos amigos meus responderiam o mesmo. No entanto, conheço pessoas para as quais as respostas seriam: sim; irrelevante, mas não, e sim.
Agora, imaginemos que essas mesmas perguntas fossem feitas a pessoas no século XIII, abraçadas pela Idade Média. Alguma dúvida de que todas as respostas seriam “sim”? Não, certo? E, de onde vem tanta diferença? De uma simples questão: os meios de produção e compartilhamento de conhecimento e bens intelectuais, assim como a garantia de direitos de livre expressão, associação, crença, entre outros, hoje, permitiram que o conhecimento humano se tornasse mais diverso, aberto, suscetível a questionamento e debate. Ou seja, os conhecimentos humanos estão cada dia mais próximos de se tornarem o subproduto direto e horizontal da inteligência coletiva e não, como a história acostumou a observar, subproduto vertical proveniente do clero, dos senhores feudais, da realeza, da burguesia, de quem tivesse poder econômico suficiente para fazer imperar a sua verdade ou, apenas, da ignorância, da falta de Educação.
O jornal foi a primeira grande invenção a abalar o que conhecemos por “informação confiável” – aquelas que provinham ninguém sabe direito de onde, mas geralmente estava inserida em algum livro antigo, escrito por pessoas há muito falecidas, mas que se sabia terem vasto conhecimento (Ou por Deus, se utilizando do homem, como no caso da Bíblia – tsc, tsc). Geralmente, essa informação confiável excluía o conhecimento popular, os estudos de novos pesquisadores, as idéias contrárias ao pensamento dominante, intituladas de subversivas, entre outras. Por sua estrutura, o jornal, como só atingia os letrados, ainda não foi capaz de provocar uma transformação tão grande na disseminação de conhecimento.
O rádio e a televisão, cujo conhecimento das letrinhas é irrelevante para sua apreciação, esses, sim, causaram o abalo no sistema nervoso dos detentores do conhecimento. Não é difícil lembrar, por exemplo, que, enquanto determinados setores ainda culpavam os homossexuais pela disseminação do vírus HIV, a televisão passou a informar dados sobre os cada vez mais altos índices de contágio entre mulheres casadas e idosos. E as pessoas se perguntavam: onde está a informação confiável? Foi a televisão quem primeiro apresentou o mundo aos mundos: os brasileiros se assustaram com as semelhanças entre seu país e outros lá do outro lado, no continente africano, assim como se encantaram com imagens da Europa, das Américas, da Oceania, tão diferentes da América do Sul. Existiam várias e bem diferentes religiões, cores, crenças, costumes, sistemas de trabalho, certo? Sim, existia.
Movidos pelo mercado, pela necessidade de manterem atividades profissionais, gerarem renda, as tevês e rádios também necessitavam moldar suas verdades, a fim de cativarem seus ouvintes/telespectadores. Essas verdades, por sua vez, nem sempre condiziam com as verdades dos outros envolvidos nos fatos narrados. Quem não se lembra da Guerra do Iraque? Das imagens da Rede Globo que mais se pareciam com uma partida de um joguinho do Atari? Querem saber o que me lembro da guerra da TV? De uma tela verde e traques de massa ‘papocando’. Só isso. Outra coisa que lembro essencialmente sobre a guerra foi que a transmissão dela me jogou imediatamente à internet para buscar mais informações sobre os envolvidos.
Se antes eu só tinha a informação da TV, mais rápida que a dos livros, mas que não me abria margem para o esclarecimento de dúvidas, por sua via de mão única, agora, o que tava sendo mostrado na TV, já tinha blogs, wikis, fóruns e redes sociais (a WEB 2.0) que poderiam me sanar qualquer dúvida. E foi assim que primeiro notei a WEB comandando minha vida, me explicando pacientemente, por meio de diversas fontes, o que eram xiitas, talibans, jihad (que não é Guerra Santa, como ainda defende a Rede Globo), mulçumanos, entre outros.
Algumas respostas…
Antes de tudo, com a WEB 2.0, todos têm a possibilidade de produzir a sua verdade, as instituições e as pessoas, sendo pagas ou não, com os mais diversos interesses e objetivos. No dia 30 de maio de 2009, sim, um dia desses, eu fiz a minha parte. Ao acessar a Wikipédia para ler mais sobre o deputado Federal Jackson Barreto (PMDB/SE), meu conterrâneo, às 15h, observei a seguinte frase: “Jackson Barreto de Lima (Santa Rosa de Lima, 6 de maio de 1944) é um piadista brasileiro, atualmente filiado ao PMDB. É formado em Direito…”. Sim, lá estava a palavra piadista relacionada ao político sergipano. Eu, amiga pessoal do assessor de Comunicação do mesmo, informei o ocorrido. Hoje, dia 31 de maio de 2009, às 8h52, na Wikipédia a frase se apresenta da seguinte forma: “Jackson Barreto de Lima (Santa Rosa de Lima, 6 de maio de 1944) é um político brasileiro, atualmente filiado ao PMDB. É formado em Direito…” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jackson_Barreto). Quais os meus interesses? Proteger o emprego do meu amigo, em primeiro lugar; proteger a imagem do deputado, em segundo, e afastar o crime que foi cometido contra o deputado, que, mesmo tendo lá seus defeitos, não gostou nada de ser chamado de piadista.
No início desse ano, fazendo uma pesquisa sobre os movimentos separatistas existentes no Brasil, li também na Wikipédia que Irton Marx, político e ativista gaúcho, líder do Movimento pela criação da República dos Pampas, país que seria formado pela separação do Rio Grande do Sul do restante do Brasil, seria nazista e racista, algo que contradizia a informação que obtive ao ler o seu livro “Vai Nascer um País Novo: República do Pampa Gaúcho” e também que contradizia a decisão judicial que o isentou de qualquer imputabilidade jurídica relacionada ao provável ilícito penal. Hoje, a Wikipédia diz outra coisa sobre Irton Marx. Não sei quem foi o responsável pela mudança ou denúncia, mas lá ainda está a referência à tal matéria do Fantástico, da Rede Globo de Televisão, que levou Irton Marx ao banco dos réus. Por acaso, se encontrássemos informações como essas em livros, em jornais e na televisão, qual seria a extensão de nossa interferência? Quase nenhuma.
Sendo assim, pergunto: as informações na WEB 2.0 são historicamente confiáveis? Há fontes seguras de todos os verbetes e informações contidas na WEB 2.0? Escritos a partir de pessoas das mais diversas com os mais diversos interesses podem realmente ser dignos de confiança? Como qualquer bom jornalista treinado, o que sei apenas é que uma única fonte não é confiável o bastante. Nunca. Fazendo um estudo, realizando um trabalho escolar ou apenas inserindo uma palavra no Google para tirar uma dúvida, sei bem que capturar uma única resposta, de uma única ferramenta da WEB 2.0, pode colocar qualquer um em apuros. Ou seja, a alma do negócio, como sempre foi, é garimpar as mais diversas respostas (ou semelhantes, porque não?) e chegar àquela que mais se acreditar ter satisfeito o seu objetivo. A questão não é saber se as informações na WEB 2.0 são confiáveis. A questão é saber a quantas mais fontes teremos acesso no futuro. Espero que mais e mais, já que tudo é relativo e toda história tem vários lados.
[1] Jornalista e assessora de Comunicação, pós-graduanda em Comunicação Empresarial pela Universidade Gama Filho. marivone.vieira@gmail.com
Como artigo, deu um show! Essa professora, com certeza, tem uma opinião tendenciosa sobre alguma das questões que você levantou, porque são polêmicas.
Professores são assim mesmo. É muito difícil ser imparcial.
Oi, dona Leo!
Então, eu até concordaria que ela me desse 1,0, 1,8, o que fosse, mas que desse uma justificativa legal, né? Essa de citar outro autor achei péssima. Um amigo meu, que faz filosofia, comentou que geralmente é isso que se faz quando se quer dar respaldo ao que foi dito. Eu poderia até ter citado um monte de gente, como o Richerd Dawkins, meu Deus pessoal, mas não senti vontade, oras! Como não era artigo científico, não senti necessidade.
burrrrr
Detesto quando não me explicam direito as coisas, sabe?
bjos e obrigada pela comentário, viu!
Nota máxima querida….não dá bola pra essa profe aí….
Sei que dá mta raiva, ainda mais qnd a gente se empenha em fazer algo né…já passei por isso tb, mas o jeito é engolir quieto.
Bjsss
Oi, tudo bem… vc é de aracaju? se sim, olha eu tbm… eu queria saber se vc encontrou a telva em alguma livraria daqui, é quase impossível achar! ¬¬
Yasmin, olá!
Então, a Rossana, que escreveu aí em cima de você, foi quem comprou pra mim no Rio de Janeiro e me enviou pelo correio.
Aqui em Aracaju não tem essa revista.
A Escariz costumava receber, mas, como ninguém comprou, eles devolveram e não pediram mais.
Abraço!
Só em aracaju mesmo uma coisa dessas, vou falar com ela e ver se dá pra ela me enviar tbm! obrigada!
olha, por melhor que seja o artigo (não sou da área, não me sinto no direito de opinar), acho que a professora teve suas razões para “cobrar” (mesmo assim, voce tirou uma boa nota) que você cite outros autores, porque é assim que a ciência é construida: debatendo, concordando ou refutando idéias/argumentos que já foram feitos antes. é isso, entre outras coisas, que diferencia ciência e pura e simples verborragia (não que o seu artigo seja verborragia!). esta é minha opinião.
sempre acompanhava o blog, mas agora ando sem tempo! voltei aqui nesse sábado tedioso e parece que você tem passado por certas dificuldades… espero que consiga resolver logo! boa sorte.
Oi Suzi!
Então, você está repetindo justamente o que um amigo meu comentou. Eu concordo com vocês se esse fosse o caso.
Jornalistas, em seus artigos, não são, de forma alguma, obrigados a citar ninguém, principalmente para o meio que escrevemos… Crônicas, artigos, etc… Entende? Abra o Jornal, as revistas e veja lá… São poucos os que citam… Geralmente citam pelo fato de estarem alterando o pensamento de alguém ou indo na linha do pensamento de alguém e não querem ser apontados como plagiadores ou algo assim…
O meu problema todo (independente da boa nota) é que ela não cobrou isso, essa cientificidade. Eu detesto professores que não cobram corretamente dos alunos.
Eu abri o material das atividades e tinha lá que ela estava solicitando um artigo, um artigo NÃO CIENTÍFICO. Ela colocava em ordem quatro temas que deveríamos escolher e pronto. Ainda ressalto que várias pessoas tiveram dúvidas e a professora comentou algo mais ou menos assim: “Gente, não fiquem apavorados. Só estou pedindo um artigo, simples. Não é científico”. Então, eu despreocupada, ainda mais pelo fato de que estava numa fase crítica (falta de tempo, salário que atrasou, invensão louca de “mudar de vida” com meu namorado), fiz um artigo baseado no que estava vendo… Eu acho simplesmente ridícula essa constante reclamação da falta de confiabilidade das informações da WEB 2.0… É como se dissessem que os outros meios eram mais confiáveis pq eram impressos…
A gente sabe que não é assim.
Esse fim da semana acompanhei as notícias sobre a morte de Michael e percebi que a NET estava com tudo, principalmente o site TMZ e o blog do Perez Hilton. Informações rápidas e confiáveis pelo fato de terem contatos dentro da família, da polícia e por aí vai… Enquanto a TV dizia que Michael tava vivo, nos sites e blogs há muito já tinha saído a notícia que ele tava morto…
Por fim, o lance todo não é a nota, como já expliquei. Foi o tipo de direcionamento que não foi o correto… E, embora ela tenha sido uma ótima professora em outros momentos, geralmente quando a questão são os direcionamentos para as atividades, nunca fica tudo claro!
;(
É isso. Obrigada pelo comentário… Adorei tê-la aqui. As minhas dificuldades estão passando… Não é nada sério. É que a fase adulta da minha vida está conflitando com minha fase jovem/pós-adolescente e tou guerreando internamente com isso! huahauhau
bjosss