Então, o filme não foi lançado esse ano, mas foi, com certeza, o melhor filme que eu assisti esse ano.
A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 2006)
Não é um filme fácil e divertido. Muito menos um filme raso e com frases prontas. No entanto, ele também não é pesado e monótono, muito menos se preza a dar lições de moral. “A Vida dos Outros“ é um drama alemão, por tanto, de ritmo e “humor” bem diferentes aos do nosso cinema, que se passa na Alemanha Oriental (lado Comunista) de 1984. Ou seja, se passa em nossa história recente. Dirigido e roteirizado por Florian Henckel von Donnersmarck, de quem nunca havia ouvido falar na vida, o filme foi lançado em 2006 e faturou em 2007 o Oscar de melhor Filme Estrangeiro, muito merecidamente por sinal, além de diversos outros prêmios do universo cinematgráfico, como o Independent Spirit Awards.
Qual a história?
Como em todo governo pautado em opressão e controle de liberdades, o governo da Berlim Oriental possue um sistema de controle e vigilância dos cidadãos, que consiste em escutas e homens treinados a captar as mínimas expressões “subversivas” emanadas dos acusados. Da mesma forma, como em todo governo pautado em opressão e controle de liberdades, um dos chefes de governo, que deseja ser promovido, escolhe deliberadamente cabeças a serem entregues em nome de seu bem estar no governo: a do dramaturgo Georg Dreyman e de sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland, que, até então, eram conhecidas como pessoas exemplares e símbolos populares do regime. Concomitantemente, Christa-Maria Sieland, vive sua própria luta pessoal contra o governo para defender sua vida e a do seu namorado.
Para tal feito, o de encontrar qualquer deslize do dramaturgo, é enviado o melhor agente do sistema, Gerd Wiesler e é justamente Wiesler quem nós acompanhamos durante o filme (a). Ouvindo diariamente as vidas de Georg Dreyman e Christa-Maria Sieland, Wiesler, que já não tinha uma vida por sí próprio de tão abnegado ao trabalho, passa a viver, sim, a vida dos outros.
Qual a razão de eu ter amado tanto esse filme?
Primeiro, o foco aqui não são os vigiados, como estamos acostumados a observar, mas os vigiadores e isso me deixou bastante desconfortável (Então, adorei). Não, o diretor não enaltece o regime, diga-se de passagem. Ele apenas nos mostra a perspectiva governamental de “proteção”.
Depois, o filme, em si, é um grande poema sobre a transformação da Alemanha Oriental até a queda do muro; sobre os falsos moralismos e, antes de tudo, sobre a crença do ser humano na liberdade. O casal, Gerg Dreyman e Christa-Maria Sieland, é muito mais transformado de casal comum em agentes subversivos por culpa das investiduras do governo do que por terem eles próprios vontade de lutar contra o sistema, mesmo tendo motivos para tal. Wiesler, por sua vez, grande defensor do sistema, passa a duvidar de sua crença por conta, também, das próprias verdades distorcidas dos membros do governo.
Houve muita crítica com relação ao final da perspectiva perpassada pelo diretor/roteirista, que começa com o foco em Wiesler, mas termina mesmo é retornando o foco para Dreyman e sua namorada. Mesmo assim, ainda acho que, para pessoas que ainda vivem os resquícios da Segunda Guerra (ou vocês acham que tudo já foi reestabelecido? E os ainda existentes jovens neo-nazistas?) e estão tentando compreender como um país se deixou governar daquela maneira (Coisa que, nós brasileiros, tentamos tapar o sol com a peneira quando o assunto é a Ditadura), o filme foi o mais próximo do que chamo cinema de ficcção de verdade.
Amei.
Espero que alguém assista.
bjos, meninas!
P.S: Acabei de descobrir uma coisa: o ator que fazia o papel de agente investigativo do Estado, Wiesler, que, na vida real, se chama Ulrich Mühe, também foi um dos líderes da cena teatral da extinta Alemanha Oriental e teve sua vida investigada durante o governo, assim como a do dramaturgo e sua namorada. Infelizmente, Ulrich Mühe morreu, aos 54 anos, de um câncer no estômago pouco após a cerimônia do Oscar.

Q bom que vc postou esse filme! É um dos mais legais que eu já vi!
Oi Mary!
Eu queria muito que muitas pessoas vissem esse filme. Aquele final foi um dos mais lindos que já ví no cinema.
Que legal que você gostou!
bjos
Eu assisti ontem de noite, e gostei muito dele.
Beijo!
Marivone, amei o filme, aliás, tanto quanto outros filmes desta nova safra do cinema alemão. Gosto da forma como o diretor constrói a narrativa, sem forçar verdades absolutas; a vida é mesmo assim, não?
Não sei se concordo com a crítica feita ao diretor. Não me parece que ele simplesmente deixe de centrar seu olhar em Wiesler para concentrar-se na vida do dramaturgo ao final do enredo. Paraceu-me, antes, apenas um deslocamento de perspectiva: aquele que antes era observador passa a ser observado, brincando um pouco com a relatividade destas posições.
De qualquer modo, este é defnitivamente um dos filmes mais belos dos últimos tempos. Vamos ficar atentas aos próximos passos deste diretor?