Então, os dois últimos dias não foram nada legais pra mim. Baixou a doida no meu estômago e lá fui eu baixar a doida no hospital. Acordei com dores insurportáveis. Chorei feito meninha. O pior de tudo é que, estando só, ficava quase impossível dirigir. Fiquei com medo de bater o carro. Sei lá…
A solução foi tomar um montão de remédios (Mylanta e Buscopan para desconforto abdominal) e esperar o horário de almoço de Felipe para ele poder me levar até o hospital.
É… Dureza. Quando consigo superar alguns problemas, outros surgem. Estou, inclusive, tentando, nesse momento, agendar um gastro para a próxima semana. O chato é que as dores não passaram. Estão apenas menos intensas…
(Estou cada dia mais convencida de que não vou aguentar mais um ano sozinha. É ruim demais… Se eu desmaiar aqui, agora, só Felipe vai me encontrar, lá por volta das 17h, que é mais ou menos o horário que a gente se fala).
Anyway,
Depois do hospital…
Chego em casa…
Ligo a TV…
Acho que vou relaxar…
O que vejo?
STF considera inconstitucional exigência de diploma para o exercício da profissão de Jornalista

Meu diploma morreu.
No primeiro momento, veio o vazio. Depois, o ódio. Por fim, a aceitação misturada com a revolta. Dois textos, de colegas jornalistas daqui do Estado, resumiram perfeitamente o que estou pensando. Sendo assim, vou publicá-los agora.
1º Nota Pública do Sindijor/SE
A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Sergipe (Sindijor/SE) vem a público esclarecer:
1 – Os jornalistas brasileiros enfrentam neste momento uma das piores situações da história da profissão no Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria, acatou, na última quarta-feira (17/6), o voto do ministro Gilmar Mendes considerando inconstitucional o inciso V do art. 4º do Decreto-Lei 972 de 1969 que fixava a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista. Outros sete ministros acompanharam o voto do relator, entre eles o sergipano Carlos Ayres de Brito.
2 – A decisão é um retrocesso institucional e acentua um vergonhoso atrelamento das recentes posições do STF aos interesses da elite brasileira e, neste caso em especial, ao baronato que controla os meios de comunicação do país. A sanha desregulamentadora que tem pontuado as manifestações dos ministros da mais alta corte do país e que interessa ao setor privado consolida o cenário dos sonhos das empresas de mídia e ameaça as bases da própria democracia brasileira.
3 – A desregulamentação total das atividades de imprensa no Brasil não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem tampouco aos interesses da sociedade. A desregulamentação da profissão de jornalista é, na verdade, uma ameaça a esses princípios e, inequivocamente, uma ameaça a outras profissões regulamentadas que poderão passar pelo mesmo ataque, agora perpetrado contra os jornalistas.
4 – O voto do STF humilha a memória de gerações de jornalistas profissionais e, irresponsavelmente, revoga uma conquista social de mais de 40 anos. Em sua lamentável manifestação, Gilmar Mendes defende transferir exclusivamente aos patrões a condição de definir critérios de acesso à profissão. Desrespeitosamente joga por terra a tradição ocidental que consolidou a formação de profissionais que prestam relevantes serviços sociais por meio de um curso superior.
5 – O presidente-relator e os demais magistrados, de modo geral, demonstraram não ter conhecimento suficiente para tomar decisão de tamanha repercussão social, fazendo, inclusive, comparações descabidas entre profissões distintas a dos jornalistas. Sem saber com clareza o que é o jornalismo e as suas especificidades, mais uma vez – como fizeram no julgamento da Lei de Imprensa – confundiram liberdade de expressão e de imprensa e direito de opinião com o exercício de uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética.
6 – O Sindijor/SE esclarece que a decisão do STF eliminou a exigência do diploma para o acesso à profissão, mas que permanecem inalterados os demais dispositivos da regulamentação da profissão. Dessa forma, o registro profissional continua sendo condição de acesso à profissão e o Ministério do Trabalho e Emprego deve seguir registrando os jornalistas, diplomados ou não.
7 – A absurda decisão do STF não alcança aos jornalistas profissionais e nem a atividade jornalística, mesmo ocupada por pessoas sem condições para exercê-la. O Sindijor/SE esclarece que continuam intactas suas conquistas históricas, como o piso salarial, a jornada diferenciada de cinco horas e a criação dos cursos superiores de jornalismo, conquistas da categoria e reforçadas em Convenção Coletiva, que tem poder de lei. Em que pese o duro golpe na educação superior, os cursos de jornalismo poderão seguir capacitando os futuros profissionais.
8 – O Sindijor/SE vai esperar a publicação do Acórdão do STF sobre a decisão, mas já adianta que vai tomar uma série de medidas para superar esse golpe contra os profissionais e contra a sociedade, como acompanhar e divulgar para toda sociedade os veículos de imprensa que estão contratando jornalistas não diplomados, estimular que estudantes que estão no curso superior em Jornalismo ingressem com várias ações reparadoras contra a União; pressionar parlamentares federais para que apresentem Proposta de Emenda Constitucional que restabeleça a regulamentação da profissão de jornalista com exigência do nível superior; entre outras.
9 – O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Sergipe tomará todas as medidas possíveis para rechaçar os ataques e iniciativas de desqualificar a profissão, impor a precarização das relações de trabalho e ampliar o arrocho salarial existente.
10 – Neste momento crítico, o Sindijor/SE, como sempre fez nos últimos anos, conclama mais uma vez toda a categoria e os estudantes a mobilizar-se em torno do sindicato. Somente a nossa organização coletiva, dentro da entidade sindical, pode fazer frente à ofensiva do patronato e seus aliados contra o jornalismo e os jornalistas. Também conclama os demais segmentos profissionais e toda a sociedade para que intensifiquem o apoio e a participação na luta pela valorização da profissão de jornalista, tão necessária à manutenção de uma sociedade democrática.
Direção do Sindijor/SE
Aracaju/SE, 19 de junho de 2009
2º
CARTA À HELOISA HELENA:
AYRES BRITO E A APUNHALADA NO JORNALISMO BRASILEIRO
Por Grace Melo*
Aracaju, 17 de junho de 2009
Querida Heloisa Helena,
Eu, assim como outros milhões e milhões de brasileiros, sou sua grande fã. Este fato se tornou para mim um grande problema, pois estou ficando velha, e um dos principais sintomas, um efeito colateral, uma das marcas do tempo em mim é a impaciência; não tenho muito a perder com lenga-lenga e churumela, ainda mais alimentando sonhos que nunca se concretizam e que ‘quando se’, terminam em grande desapontamento.
Escrevo para lhe dizer que o objetivo real desta modesta carta é pedir à senhora que me decepcione logo. Pare de tanta enrolação. Não agüento mais olhar para você como símbolo maior de uma pátria que um dia poderia vir a ser, com políticos do seu estipe no poder, verdadeiramente uma mãe gentil. Quando penso em político honesto, ou em gestor público comprometido verdadeiramente com o povo e suas necessidades, visualizo única e exclusivamente o seu semblante, lembro de toda força que existe em você, às vezes discretamente escondida sob seu sorriso terno. Uma mulher doce e angelical e uma onça pintada; duas em uma, utilizadas distintamente, cada qual na ocasião certa. Vamos Heloisa! Estou cansada dessa tal de esperança. Essa palavrinha que vai de encontro ao ‘medo’ em campanhas de certos políticos ex-amigos seus, só se mantém acesa em mim quando penso em você sentada na mais confortável das cadeiras do Palácio do Planalto.
Veja Heloísa, decepcionar-se com quem está no poder é coisa comum. Por exemplo: aqui em Sergipe tinha um político que, assim como você, alimentava a esperança de que essa terra tão pequena chamada Sergipe poderia ser o Estado brasileiro perfeitamente administrado, um modelo a ser seguido por todo o país. Uma terra comandada por uma triarquia infalível, montada em corcéis negros, espada em punho galopando contra o mal, a opressão, a corrupção, a fome, a miséria, a insalubridade, contra a indignidade, contra o medo que trucida diariamente a vida do povo brasileiro. O triunvirato está prestes a se desfazer e hoje, por aqui, pouca coisa mudou para melhor. Uma crise de imagem assola o gestor perfeito que anda tirando o poder de seus melhores amigos; a opinião pública dá mostras de que a impaciência anda vencendo a esperança. Isso acontece quando se promete muito, cria-se muita expectativa, sobe-se muito alto. Decepção, insatisfação e queda idem.
Mas, o pior nem foi isso Heloisa, pois essa decepção aí se deu aos poucos, ao longo de dois anos e meio. O pior foi que um outro sergipano, de caráter, conduta e moral ilibadas, um super homem de verdade, impoluto, intemerato, íntegro, ilibado, honrado, símbolo da justiça na acepção da palavra, me decepcionou profundamente, mas tão profundamente, como jamais pensei que pudesse me decepcionar deste modo com um homem público. Quem um dia poderá escrever que ‘Um Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) destroçou a minha esperança no próximo’? Jamais alguém pensa em escrever algo desse tipo, utilizar essas palavras. Mas hoje Heloisa, o senhor Carlos Ayres Britto, por quem mantinha uma profunda admiração (comparável apenas com a admiração que ainda tenho por você), votou a favor da morte do jornalismo brasileiro. Estudou, julgou, condenou e enforcou a profissão mãe da liberdade nos Estados democráticos de direito deste planeta. Agora Heloisa, graças também a Carlos Britto, que não é parlamentar, mas que eu tinha como meu representante no STF, bateu o martelo para que qualquer cidadão possa auto intitular-se jornalista. Para Britto, ser jornalista é questão de vocação. Graças a sua opinião, qualquer um poderá criar um jornal, escrever ‘matérias’, reportagens, entrevistar, assessorar, ser jornalista . Diploma para quê? Como ele mesmo disse “o jornalismo é uma atividade que se disponibiliza sempre para os vocacionados [?], os que tem pendor individual para a escrita [?], a informação, os que tem o olho clínico [?]”.
Quando li essas palavras lembrei que meu pai ainda pagava os mais de 400 reais de mensalidade do meu curso na Universidade Tiradentes quando o então coordenador de jornalismo, professor Alan Barreto, saiu de sala em sala colhendo assinaturas para que o advogado sergipano Carlos Ayres Britto fosse nomeado Ministro do Supremo. Assinei com orgulho e, lógico, nenhuma esperança (olha a maldita da palavra aqui de novo). Imagine a minha felicidade de ver então este homem assumindo o cargo? Imagine então o tamanho da minha decepção com este senhor que afirma por entrelinhas que eu Grace Melo, que passei quatro anos sentada numa cadeira de universidade, além das pós-graduações, tenho a mesma capacidade de um cidadão que não cursou sequer o ensino médio para escrever uma matéria jornalística?
Hoje, Heloisa Helena, me sinto completamente desqualificada, sinto como se tivesse jogado mais de cinco anos de vida no lixo, sinto que perdi o meu tempo, o da minha família, perdi muito dinheiro, muitos neurônios estudando para ver um dia meia-duzia de Brittos da vida jogarem a minha profissão por um ralo nefasto e fétido deste país que só congratula a corrupção, só premia escrotos, auxilia e dá poder, dinheiro, fama, brilho e sucesso a quem se submete a um sistema putrefato de troca de favores.
Hoje escrevo aqui não mais como jornalista. Expresso nesta carta não a opinião de uma profissional, mas de uma cidadã desesperançada que trabalha quatro meses do ano apenas para pagar impostos que sustentam as muitas baixarias que colegas meus denunciam diariamente em veículos de comunicação sérios e comprometidos com o jornalismo verdade, o jornalismo cidadão, assim como ele deveria ser. Eu Heloisa, que há tempos andava amuada, decepcionada e sem vontade nenhuma de escrever, eu, que agora sou apenas mais uma dona de casa com um pedaço de papel intitulado de diploma sem nenhum valor apregoado na parede, tive a certeza de que um dia irei me decepcionar com você também. É por isso que hoje lhe escrevo e peço encarecidamente: por favor, abrevie meu sofrimento Heloisa Helena, me decepcione o mais rápido possível. É só o que falta para que eu e meu marido coloquemos nossos filhos debaixo do braço para tentar cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos.
*Grace Melo era jornalista profissional. Atualmente é dona de casa, mãe de dois filhos e cursa Letras Português – Inglês para um dia ter um diploma de verdade e ser alguém na vida.
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É isso, meu povo…
Doente, só me resta, após terminar minhas atividades (são 15h10 e ainda estou aqui, presa ao laptop), correr para a universidade a fim de buscar minha nota de Processo Civil IV e saber se, finalmente, passei para o próximo estágio da minha graduação em Direito.
bjos.
P.S: Ainda continuo pedindo perdão a todos que não estou dando a devida atenção. É que as coisas estão ruins mesmo… Se alguém por aí vive só, deve saber do que estou falando. Sei que Felipe é mais que um namorado e, falando assim, até parece que não tenho apoio dele. Se ele ler isso aqui, vai até ficar com raiva de mim. Mas, não é isso. Ele trabalha pela manhã e pela tarde, à noite tem universidade e ainda tem a banda. Ele faz tudo que pode, sempre liga, sempre me ajuda e foi, inclusive, quem chegou tarde ao trabalho para poder me deixar no hospital. Coisas que meus pais (nem ninguém da minha famíília) nunca fizeram. Pra falar a verdade, o povo só vai saber que fiquei doente quando chegar a conta do plano de saúde. huahau
Afff.. Tou muito sensível!